Você já pensou em caminhar sobre o açaí que toma e a mandioca que come? Descubra o bio-pavimento que transforma resíduos em soberania.
O Território
No coração do Mojú-PA, uma história de resistência esbarra no isolamento causado pela lama e poeira das vias sem estrutura.
Toneladas de caroços de açaí e cascas de mandioca são descartadas diariamente sem destino.
O asfalto de petróleo tradicional é inviável financeiramente e impermeabiliza o solo da Amazônia.
Engenharia de Materiais
O caroço inteiro atua como a estrutura principal do nosso bloco intertravado. Sua forma esférica natural cria os canais de drenagem perfeitos, permitindo que a água da chuva atravesse o pavimento.
O pó da casca da mandioca preenche os espaços vazios, enquanto a cinza atua como um fíler pozolânico, garantindo a resistência mecânica necessária para suportar o tráfego da comunidade.
Do Laboratório ao Solo
Coletamos os resíduos brutos (casca de mandioca brava e caroços de açaí) diretamente com as famílias da comunidade da Vila Jutaiteua.
Espalhamos a biomassa em camadas finas por 48 a 72 horas para remover a alta umidade natural do material.
Trituramos as cascas secas em moinho para gerar o agregado miúdo e peneiramos os caroços de açaí para padronizar o tamanho.
Queimamos o pó da mandioca em mufla a 500°C por 5-6 horas para obter a cinza pozolânica, o nosso ativo reativo de endurecimento.
Combinamos o aglutinante com a mistura seca (caroço + cinza) até atingir a consistência de "terra úmida", compactando o bloco em três camadas com 25 golpes por camada.
Modelo de Negócio
O resíduo que compramos da comunidade retorna para ela em forma de infraestrutura e soberania tecnológica.
Compramos o passivo ambiental (açaí e mandioca) diretamente das famílias, gerando microeconomia local.
Capacitamos os moradores para a produção e processamento dos bio-blocos intertravados na própria comunidade.
O resíduo volta para o chão como infraestrutura 100% drenante, eliminando a lama e a dependência do asfalto.